sábado, 29 de dezembro de 2007

Feliz Natal Fabrício

© pedro gonçalves e tiago gonçalves | 2007
música: A Sunday Smile, Beirut

ainda sem qualquer explicação. a seu tempo, alguém a fará. estou certo.

23 | comentários:

Pedro disse...

Eu cá pouco percebo destas coisas... mas achei engraçado :|
E estou curioso para a "tal explicação" ;) Ficarei atento.

mariacarmo disse...

Pois bem... Espero conseguir explicar-vos algo que até se me vislumbrou bem simples. O vídeo resume-se a nada mais que o significado do Natal - a solidão a que muita gente por aí se encontra sujeita. O facto de o principal e único interveniente se encontrar sozinho, a passear um carrinho de compras faz alusão à sociedade consumista, assim como também o balonçar das luzes e as imagens frenéticas: inebriação dos sentidos. A igreja surge aqui como salvação e significado. A cadeira remete ao Outro ausente, que não existe... que aparece algures mas que rapidamente volta a desaparecer, que rejeita - mais uma vez uma alusão à sociedade individualista. Por fim, esse tal Outro desenfreadamente procurado aparece enfim, numa moldura sem conteúdo dentro do carrinho das compras, que inesperadamente choca com a cadeira que anteriormente se encontrava vazia e à espera, agora ocupada por aquele que o procurava. Moral: mesmo sem rosto e no meio desta confusão sensorial de que somos alvo todos os dias... em épocas como esta haverá sempre alguém por aí.
Espero ter sido útil... foi um bom exercício.

mariacarmo disse...

Só mais um reparo: independentemente de alcool ou qualquer "motor" adjacente, espero ter dado uma explicação que sirva para os actores/autores... ou pelo menos torná-la em palavras! De qualquer modo para quem não entende o significado fui clara, julgo. Manifestações mais ou menos artísticas... quem não as tem?

s3c0 disse...

... que explicação mais rebuscada...

é um ponto de vista...!!!

mariacarmo disse...

Um ponto de vista... :D!
Apenas tentei dar um toque mais coerente à coisa! Porque para tudo existe um sentido... ou não? Ou teriam preferido que tudo passasse pelo alcool com uns vapores à mistura :D?

pg disse...

Mariacarmo, gostei muito da sua interpretação. Parece-me no entanto que reduzir ao alcool e outros vapores outra perspectiva para interpretar o filme me parece um pouco redutor. Aliás, como fui eu o cromo que por ali andou a correr em frente à câmera posso assegurar-lhe que não houve qualquer motor adjacente que não a vontade sobria e desajeitada destes dois cromos.

mariacarmo disse...

Acredite-me que não foi a essa interpretação que fiz... a primeira de todas é a correcta. No entanto fiz, e para não desvirtuar os comentários do Mais Angular, uma alusão aos alcool e aos vapores :D, sem qualquer intenção menos própria. Em nada reduzi o espírito da coisa. E dou os meus parabéns aos actores/autores. Agradeço o facto de ter gostado da interpretação... demasiado "rebuscada" como foi referido. Para mim apenas um exercício.
Para mais interpretações destas... disponham :D

Rosa disse...

é bem experimental.

sf disse...

pá, interpretar o filme é um exercício engraçado. a mim, a grosso, a coisa pareceu-me sobretudo a reportagem de uma angústia, num tempo específico. mas há muitos elementos que não consegui interpretar, devido à falta de referência(s). que, sinceramente, não creio que sejam necessárias para ver o filme. uma das coisas que geralmente funciona é a ambiguidade ou o carácter difuso das narrativas, quaisquer que sejam, no sentido em que concedem uma maior latitude interpretativa. eu, por exemplo, segui o script deixado pela banda sonora. e foi com essa chave que, de modo impressivo, decifrei o filme. (en passant, admito que imaginei a coisa arranjada com outra banda sonora: o tema «down boy», dos yeah yeah yeahs). mas isto é de uma cabeça congestionada pela puta da sinusite. que, mesmo quando não afligida pela sinusite, não dá muito. já agora, porque é verdade, o título «feliz natal Fabrício» tem pinta. mas «a Deolinda não foi às compras de natal e agora já é tarde» teria muito mais.

mariacarmo disse...

A ambiguidade de interpretações é própria do espírito humano... E eu não quis, de modo algum, colocar a minha acima de todas as outras. Cada um interpreta e assume segundo a sua visão das coisas: o pensamento é AINDA livre ;)!Mas confesso que a ideia da "Deolinda..." daria outra perspectiva à coisa (o actor apenas teria de fazer a barba ;))!

sf disse...

pá, eu sou a favor das interpretações. cada um(a) com a sua. não escrevi, tão pouco sugeri, que há uma interpretação mais autorizada do que as restantes. até porque, depois da obra exposta publicamente, não acredito muito nessa coisa chamada autor.

Ric Jo disse...

A visualização desta curta leva-me a escrever uma só palavra: inspirador.

Poderia eventualmente escrever outra, também começada por 'i' : inveja. Por ter uma vontade descomunal de fazer arte e não ter a coragem e/ou alg(uem)o mais para tal.

Os meus parabéns aos dois. Grande abraço e boas entradas ;)

tiago disse...

prometo que deixo aqui umas palavras, mas ainda não sei bem por onde começar. a diversidade e boa qualidade dos comentários dificulta qualquer tentativa de resposta.
até já

pg disse...

Chama-lhe antes preguiça meu malandro. A esta hora estás a recuperar de uma monumental besana na terra dos doutores. A dor de cebeça e boca a saber a sola de sapato não ajudam, pois não? Um bom ano jagunço, já agora estendo o abraço aos restantes leitores do Favacal, em especial à mariacarmo e sf que esgalharam e deram vida a uma brincadeira de meninos... E ainda vai um puta de um aperto de osssos ao ric jo que faz umas festas à maneira com o primo à guitarra. Já está!

mariacarmo disse...

Novo ano e, espero eu, novas "brincadeiras de meninos" da vossa parte... É disso que eu gosto :D! Eu estarei por aqui à espera...! Votos de Bom 2008, para todos ;)

MysterOn disse...

Bom trabalho "Pás"!

Thanks PG!

lcx disse...

Nem sei o que dizer, mas ao ver esta curta leva-me a sentir o que o Ric Jo já disse anteriormente: Sinto inspiração e tenho inveja.

Que óptimo trabalho! Parabéns!

tiago disse...

primeiro que tudo, obrigado a todos pelos comentários e pela discussão que se criou.

este meu até já foi bem demorado. bem sei. também sei que já tenho idade para ter vergonha destes atrasos. sem grandes desculpas para dar, a não ser a preguiça, também tenho que dizer que foi ela, impulsionada por uma coisa chamada materiais e construção, que me fez vir aqui deixar o já prometido cometário .

o filme não mais que um devaneio numa noite fria de Dezembro. Penso que o PG permite a inconfidência de contar como se passou. aqui vai: deviam de ser para aí umas dez da noite quando o selvagem me telefona possuído por uma música - eu acho que já o tinha avisado para ouvir as merdas com moderação, mas o gajo quando dispara para um lado, já não há nada a fazer. dando continuação ao relato, diz-me ele do outro lado da linha, que tinha-mos que montar uns frames para aquilo. e não podia ser amanhã, ou outro dia!, qual quê?!?! tal era a porrada do homem, que tinha que ser no momento. bem resisti, mas sem resultado. lá fomos na sua viatura em direcção ao local do crime. pelo caminho fui interiorizando o som que já conhecia muito superficialmente. sem nunca ficar possuído, é preciso dizê-lo, entrei na onda da música.

Fomos sempre trocando umas ideia no caminho e durante o resto do processo. Os objectos, os locais, as situações, etc... Sempre com mais dúvidas do que certezas, pegamos nos adereços já com algumas luzes. o carrinho do Ulmar, a moldura, a cadeira e lá fomos nós.

rachava frio que um gajo nem sentia a desenroladora da fita. mas os selvagens sentiam-se bem. pareciam dois grandes eruditos da coisa que na verdade encenavam um teatro de tontinhos ao luar. na altura lembrei-me de uma frase que alguém que alguém compusera dias antes. talvez até ali bem perto... dizia esse alguém que, "O frio é um animal canibal". tinha toda a razão.

A ideia inicial era retratar uma alma perdida no meio de um cidade vazia, escura e fria. a partir daí tudo foi surgindo naturalmente e de uma forma muito descontraída...

havia uma ideia comum entre nós em relação ao que queríamos, acho... apesar de nunca ter existido um projecto detalhado e teorizado do que foi feito. É por isso que lhe chamo um devaneio. O próprio título foi proposto pelo Pedro já depois das 4 horas de montagem e de algumas horas de sono.


dois detalhes mais técnicos:

existem alguns erros que provem do upload do filme para internet, mais precisamente na parte em que a personagem cai da cadeira e a imagem fica parada. na versão original, em vez do frame prolongado da queda, deveria de surgir preto que desvanecia para as luzes em movimento

apesar de parecer extremamente amadoresco, o filme foi montado sem a música. ou seja, foi tudo colado para o tempo da banda sonora e só no final ela foi colada por cima.

e com isto tudo, já me estiquei à brava..
fiquem bem

mariacarmo disse...

Hum... Um verdadeiro caso de possessão :D!
Pois bem... Como podes constatar, esse tal "devaneio" foi alvo de uma multiplicidade de leituras e, sem dúvida, das mais acérrimas que tiveste por aqui: teorias... quem não as tem? Mas tal só comprova o quanto estamos sujeitos ao "juízo" dos outros... E de que forma o mundo se torna real através dos olhos de que o vê.
Espero por novas possessões e consequentes exorcismos - ou não!
;)

tiago disse...

mariacarmo: talvez tenha faltado dizer que curti muito as leituras/interpretações aqui deixadas. são sempre, mas sempre bem vindas.... ;)

Filipe Perdigão disse...

Bem...se alguem aqui falou em preguiça para comentar, é porque ainda nao me conhecia :P. Apesar de ter visto este filme quase apos a sua estreia, so agora aqui estou eu a comentar... E nao vou fazer um comentario muito extenso, vou tentar resumir tudo numa so palavra: ADOREI :D. Desde ja os meus parabens aos dois "marados" que tiveram a coragem de gravar isto sob um intenso frio... So espero nao ter de esperar ate Dezembro por um novo devaneio... quem sabe o calor de verao nao faça das suas :P eheheh. Ah, é de salientar que fiquei viciado em Beirut que ate entao, so conhecia o nome e nao a musica, que, com estas imagens, fica qualquer coisa de fantastica :).

Bem... acho que ja disse o que queria ter dito ha mais tempo... forte abraço para os autores deste video e para o "chefe" aqui do blog :P [[]]

Anónimo disse...

Mas o verdadeiro Fabrício de Ourém é aquele moço que anda sempre a correr de um lado para o outro, sendo até capaz de ir a pé de Ourém a Leiria para ir às compras ao Continente!

tiagogoncalves disse...

sim, nós sabemos ;)

abraço