quarta-feira, 2 de julho de 2008

Rossio, caricatura extrema de um Portugalé*

Urbanismo. Tal como para esta cidade, o sentimento é mesmo, amor e ódio. Ou, neste caso: revolta. Amor e revolta, ou talvez, amor ou revolta... Mas adiante. Bastou a Rosa sugerir um reportagem da SIC sobre a praça do Rossio, para que o bichinho mexesse cá dentro.

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Lisboa
é pensada da mesma forma de que é pensado o rectângulo de que ela é centro. Isto é, é pensada de «capela a capela» e, como é claro, esquecendo algumas, ou caso a coisa o exija, despejando aquelas que não se convém. Dizia-se em forma de máxima, mais gente e menos carros, certo. A malta aplaude, porque é expertinha e, até já percebeu como é que funciona a coisa, mesmo quando se fecha os olhos aos setenta por cento da chapa que é atirada para a paróquia ao lado. Apesar de tudo, já dá para deixar um louvor às gravatas. Descobriram que, cidade sem pessoas não é cidade e, sejamos sinceros: não haver cidade na downtown, começa a ser demasiado estranho para algo que quer ser capital, mesmo quando não há plano de pormenor, nem, muito menos, uma coisa chamada estratégia. Enfim, as boas práticas da nação são conhecidas por todos: resolvesse meio problema aqui, criam-se dois ou três acolá. Não há esperança nenhuma nesta merda! Se algumas vez ouve, está morta e bem morta. Um, dois, três!, um viva à ACP e a sua corja de incendiários urbanos, ainda não totalmente queimados pelos dólares do barril. Para o bem e para o mal, lá chegará o dia. Acreditem senhores! Um gajo perde a cabeça a falar disto, o que talvez signifique que, devia de estar calado. O respeitinho é muito bonito, bem sei!, mas esperem. Já que estamos com as mãos na massa, deixo os meus parabéns a quem se dá ao trabalho de, duma forma fantástica e inédita em Portugal, justificar o acto de desobediência civil que cometo, conscientemente e assumidamente, todo o santo dia. Em lugares de pessoas, a pé ou a pedalar, não reconheço códigos da estrada, nem muito menos da chapa! Reconheço sim, as regras do bom senso e da saudável partilha do espaço público.

* de uma das séries do Albergue dos Dandos da autoria de Segismundo

2 | comentários:

Pedro disse...

Não podia deixar de colocar aqui um pequeno incentivo.
Entretanto passou-se mais de uma hora e meia desde que comecei a ler este post.
Clique aqui, clique ali... blog para cá, blog para lá... e o tempo esfumasse.

Contudo, compreendi um pouco mais esta tua "paranóia"... e não entendas paranóia no sentido pejorativo. Todos temos as nossas, e esta tem bem razão de ser.

Já agora... permite-me queixar disto andar muito parado. Espero que o fim da azafama académica o venha revitalizar.

Capitao_Mostarda disse...

Bem a reportagem que apresentas logo no inicio é qualquer coisa...
Apesar de não conhecer assim profundamente o Rossio, ficamos com qualquer coisa cá dentro... Do que já foi Lisboa e o que, por força da "evoluçao", sacrificou.
Obrigado pela dica ;)